Para além das Trutas

A pesca à Mosca - Ciprinídeos

Até há bem pouco tempo a pesca à mosca estava associada exclusivamente aos salmonídeos, actualmente seja pela escassez destes, seja pela sua divulgação o interesse pela utilização desta técnica para outras espécies aumentou imenso.


Com este artigo pretende-se divulgar outras espécies mais abundantes no nosso país que também se podem pescar á mosca com muito sucesso, embora se possam pescar, escalos, ruivacos, alburnos, perca-sol, peixe-gato vou-me centrar nas espécies mais abundantes.


Quanto ao material, cada cabeça sua sentença, óculos polarizados e chapéu estamos todos de acordo, mas penso que uma cana de 9 pés, linha cinco com backing, tem a polivalência suficiente para ser utilizada quer nos salmonídeos quer nos ciprinídeos, destes os mais abundantes no nosso país são a boga (cada vez mais escassa) a carpa e o barbo.


A Boga


Normalmente pesco as bogas na altura em que estas sobem os rios para desovarem, porquê? Porque é quando são mais facilmente localizáveis e estão muito agressivas, nesta pesca utilizo um baixo de linha a terminar no 0.14, pesco à seca e com ninfas e também com um tricóptero pelo de veado a servir de indicador de picada juntamente com uma ninfa (a esta técnica chamam-se pesca em tandem).


A técnica à seca é simples, montamos um tricóptero (anzol 18), uma emergente oliva ou lebre (anzol 16,18) quando vemos os cardumes é lançar para o barulho que é picada na certa. Quando não andam junto da superfície mas vemos que estão lá montamos uma ninfa cabeça dourada e deixamos seguir pela corrente, nesta situação pode-se utilizar um indicador de picada artificial ou um tricóptero, tendo a utilização deste a vantagem de servir também como mosca seca. Não raras vezes as bogas atacam o tricóptero, embora a grande maioria de ataques seja na ninfa de cabeça dourada. Atenção, devido a posição ventral da boca da boga falham-se muitas ferragens, mas é uma pesca espectacular.


Como estamos a pescar numa altura em que a boga se prepara para desovar devemos utilizar anzóis sem morte e devolver todas as capturas ao rio, só assim poderemos voltar no futuro.



Da Esq. para a Dta - ninfa orelha de lebre, orelha de lebre com cabeça dourada, tricóptero, efémera oliva e March Brown


A carpa


A pesca à carpa pode ser dividida em duas formas: pesca com ninfa e pesca à seca.


Normalmente pesco carpas à ninfa em barragens, nestas as carpas procuraram normalmente zonas da lama ou de vegetação, onde encontraram normalmente os seres pequenos dos quais se alimentam; Os principais alimentos que uma carpa pode encontrar nos fundos de uma barragem são: as ninfas de efémeras, larvas de algum escaravelho, larvas de quironómidos, minhocas e a meu ver, as estrelas para pescar carpas grandes, os lagostins e as ninfas de odonato.Para enganar uma carpa é necessária uma estratégia da aproximação e de pousada da nossa mosca, o mais silenciosamente possível. Se o animal for grande a coisa do complica-se ainda mais. Sem uma dúvida, o aparecimento natural de uma ninfa perto do campo de visão de uma carpa é o melhor que se pode fazer, nunca devemos pôr a ninfa na cabeça do indivíduo ou próxima junto dele, vai-se assustar e fugir.



Carpa capturada com ninfa de quirómido, a qual se pode observar em cima da carpa


Em águas pouco profundas é necessário aproximar com muito o cuidado. Lança-se a cerca de um metro do indivíduo, para “mais tarde trazer” a ninfa de uma das seguintes maneiras


1 - Se o indivíduo comer de forma insistente e parado arrasta-se a ninfa de modo que caia verticalmente a poucos centímetros de sua boca.


2 - Outra forma de apresentação da mosca com a carpa em movimento é lançar-se de modo a cortar a trajectória trazendo a ninfa aos saltos para frente da carpa de modo a esta vê-la.


Muitas vezes vemos borbulhas a vir do fundo, podem ser da decomposição de matéria orgânica ou de grandes carpas a remover o fundo.


Para se distinguirem uma situação da outra é fácil, basta estudar as borbulhas e ver que se estas seguirem uma determinada direcção, são o fruto do facto de uma carpa andar a comer no fundo, ao definirmos a direcção intuímos onde está a cabeça e a cauda, nestes casos, convém utilizar-se ninfas pesadas e grandes, o lagostim, o Wolly Bugger preto ou cor de oliva ou uma ninfa de odononato tons verde-oliva.


Lança-se de modo a não espantar a carpa recolhe junto da superfície para se colocar a ninfa solta-se de modo a que caia a cerca de 40-50 cm da boca do indivíduo, dá-se uns toques de modo a que a ninfa se aproxime da carpa ao menor sinal de mordida deve ferrar, é uma técnica que exige treino pois falham-se muitas ferragens, mas é muito eficaz com grandes carpas.


Mais raramente as grandes carpas alimentam-se de peixes, não é muito comum, mas nas barragens com alburnos é cada vez mais frequente estas alimentarem-se de pequenos peixes.

As carpas trabalham normalmente em cardume formando um arco que envolve os peixes compactando o cardume das presas, nestas ocasiões deve-se lançar uma pequena imitação de peixe (minow clouser) de cor branca, recolhe-se para que desperte a atenção das carpas, normalmente a picada é brutal devendo-se utilizar baixos de linha resistentes.


Para a pesca à seca, a técnica é muito mais simples e mais fácil de pescar, nesta técnica utilizam-se imitações de insectos terrestres, escaravelhos, formigas, gafanhotos e mais raramente mosquitos, embora sejam muito eficazes.



Da Esq. para a Dta - ninfa de quirómido, ninfa de efémera, ninfa de odonato, wolly bugger, lagostim, formiga e escaravelho


Pesca-se normalmente sobre eclosões destes animais, lançando-se as imitações para junto das carpas, que estão junto da superfície por isso facilmente localizáveis.


Normalmente utilizo os escaravelhos na Primavera/Verão, os gafanhotos no Verão mas junto das margens e as formigas depois das primeiras chuvas de Agosto, prolongando-se a sua utilização até bem entrado o Outono.


Neste caso a apresentação não tem que ser muito cuidadosa, excepto se as carpas se encontrarem muito junto da margem pois podem assustar-se. Quando não estão encostadas o barulho que a imitação faz ao cair na água atrai as carpas fazendo com que estas ataquem a mosca.


O Barbo


No nosso país existem muitas barragens que têm excelentes populações de barbos, este facto conjugado com a luta brutal que dão, as suas grandes correrias levando muitas vezes metros backing, o seu tamanho maior que a truta, a sua voracidade e a facilidade com que se pesca à mosca à seca faz desta espécie uma das mais emocionantes para se iniciar nesta modalidade.



Barbo capturado na subida com uma ninfa de quirómido


Na minha opinião existem duas alturas do ano, nas quais é mais fácil capturar barbos, em Abril e Maio na altura em que sobem para desovar, isto nos rios, nas barragens de meados de Março até Novembro se as temperaturas não forem muito frias.


Na subida para a desova como se pesca em rios com águas muito baixas deve-se fazer a aproximação de uma forma muito discreta de modo a não alertá-los da nossa presença, se o barbo nos vir podem crer que não ataca a nossa mosca, assim aconselho: aproximações discretas, reduzir os falsos lances ao mínimo e pousadas suaves...



Barbo capturado com ninfa orelha-de-lebre


Assim deve-se lançar contra a corrente deixar a ninfa derivar quando prender ou para dar um ligeiro toque que serve para ferrar o peixe, esta técnica tem o inconveniente de algumas vezes roubar o peixe, prendendo-o pelo focinho ou por outra qualquer parte do corpo. Nesta altura nas zonas mais calmas do rio pode e deve-se tentar à seca, pessoalmente quando faço é com uma destas imitações, red-tag (montada em anzol 16), formiga (montada em anzol 14), escaravelho (montada em anzol 14) ou tricóptero pelo de veado com corpo vermelho (montado em anzol 16), porquê estas cores, até ao momento de todas as que experimentei são as que melhores resultados dão.



Da Esq. para a Dta - ninfa de quirómido, ninfa de orelha de lebre, emergente de lebre, formiga, red tag e escaravelho


Nas barragens, a época da pesca inicia-se assim que as águas aquecem ligeiramente ficando estes activos alimentando-se com frenesim de modo a prepararem a desova. Nestes locais normalmente inicio a pesca à ninfa para nas horas centrais do dia mudar para seca, manias...


Os barbos têm tendência para se alimentarem junto das margens, procurando larvas de diversos animais, camarões, lagostins, enfim tudo que lhe garanta um bom aporte calórico com o mínimo esforço. Nestas situações por vezes temos que lançar de forma muito justa à margem, isto é a linha fica assente em terra e só o baixo de linha é que entra na água.


Normalmente quando patrulham junto da margem embora esteja à procura de larvas não desdenham nada que caia do céu, assim uma emergente, um tricóptero, uma formiga, um gafanhoto ou um escaravelho são rapidamente atacados.


A partir das chuvas de Agosto e até Novembro é um espectáculo ver os barbos a passear junto da superfície, nesta situação a rainha é a imitação de formiga, muitas vezes é só cair junto do barbo que ataca logo, outra vantagem para os pescadores que não lançam tão bem (eu por exemplo) é o facto de podermos arrastar a nossa imitação para junto deles ou colocando-a de forma a cortar a sua trajectória quando estão em movimento, também resultam bons ataques.


Uma dica, quando os meninos estão esquisitos, lança-se de forma à nossa imitação (formiga ou escaravelho) cair ruidosamente na água, desperta a atenção do peixe e a sua agressividade.



Barbo pescado com formiga de asa

Por fim nas barragens onde existem alburnos ou muitas bogas os barbos também se alimentam de peixes mais pequenos, normalmente atacam de forma a encurralar o peixes junto das margens nestas situações uma imitação de peixe, clouser minnow, um peixe em epoxi dão bons resultados.

Pesquem sem morte pois só assim garantimos o futuro....

Texto e fotos, Paulo Frias

(Muitos parabéns ao Paulo pelo excelente trabalho realizado. São necessárias muitas horas de pesquisa e montagem para conseguir um artigo tão completo como este.

Um “Muito Obrigado” por nos ter enviado este trabalho e permitido a sua divulgação.

Um grande abraço e boas pescarias).

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